A automatização de tarefas é uma das aplicações mais imediatas da Inteligência Artificial. Mas, para as organizações, o verdadeiro impacto da tecnologia vai muito além da automatização: passa por repensar a forma como o trabalho é organizado, como as responsabilidades são distribuídas e como pessoas e sistemas de IA colaboram.
Foi precisamente esta reflexão que esteve no centro da participação de Tiago Forjaz, fundador da The Epic Talent Society, no palco Future of AI Agents & Skills, Powered by Glintt Global, integrado no Portugal Digital Summit 2026.
Da automatização à transformação do trabalho
A introdução de agentes de IA nas organizações não significa apenas encontrar tarefas que podem ser executadas de forma automática. Implica também compreender de que forma essas novas capacidades alteram funções, responsabilidades e modelos de colaboração.
À medida que os sistemas de Inteligência Artificial assumem partes de processos anteriormente executados exclusivamente por pessoas, surgem novas questões: que tarefas continuam a necessitar de intervenção humana? Que novas responsabilidades aparecem? E como devem as equipas adaptar-se a esta nova realidade?
É neste ponto que a adoção tecnológica passa a ser também um desafio de transformação organizacional.
Inteligência Artificial, talento e liderança
A experiência de Tiago Forjaz nas áreas de talento, liderança e transformação empresarial permite enquadrar a Inteligência Artificial a partir de uma perspetiva que ultrapassa as capacidades da própria tecnologia.
Ao longo do seu percurso profissional, acompanhou organizações em processos de mudança relacionados com cultura, talento e novos modelos de negócio. Esta experiência coloca no centro da discussão uma questão fundamental: o que acontece às organizações quando as capacidades da IA são efetivamente incorporadas nos processos de trabalho?
A resposta exige mais do que tecnologia. Exige liderança, definição clara de responsabilidades e capacidade para preparar as pessoas para novas formas de trabalhar.
O papel das pessoas numa organização apoiada por IA
Quanto maior for a capacidade dos sistemas para executar autonomamente determinadas tarefas, mais importante se torna definir onde o conhecimento, o julgamento e a responsabilidade humana acrescentam valor.
O desafio deixa, assim, de ser apenas identificar o que pode ser automatizado. Passa também por decidir como reorganizar o trabalho depois dessa automatização e como criar modelos nos quais pessoas e tecnologia possam complementar-se.
A tecnologia pode executar tarefas e apoiar decisões, mas continuam a ser as organizações a definir objetivos, responsabilidades, modelos de colaboração e a forma como o talento é colocado ao serviço da transformação.
AI Agents no centro da transformação das organizações
A evolução dos AI Agents está a levar esta discussão para além dos departamentos tecnológicos. Liderança, talento, cultura e organização do trabalho tornam-se dimensões essenciais para transformar as capacidades da Inteligência Artificial em verdadeiro valor para as organizações.
A participação de Tiago Forjaz no palco Future of AI Agents & Skills, Powered by Glintt Global, no Portugal Digital Summit 2026, trouxe precisamente esta dimensão humana e organizacional ao debate sobre o futuro da Inteligência Artificial.
Porque a transformação não acontece apenas quando uma nova tecnologia é adotada. Acontece quando essa tecnologia muda a forma como trabalhamos, colaboramos e criamos valor.
Artigo adaptado a partir da publicação do Digital Inside.


