A integração clínica deverá assumir-se como um dos principais desafios das Unidades Locais de Saúde (ULS) nos próximos anos. Mais do que integrar estruturas do ponto de vista administrativo, o próximo passo passa por garantir uma verdadeira articulação dos cuidados, centrada nos percursos dos doentes e nos resultados em saúde.
O tema esteve em destaque no Portugal Healthcare Innovation Summit 2026, realizado em Lisboa, durante a mesa redonda de abertura dedicada ao tema “Transformar a Saúde em Portugal: O Modelo ULS e o Futuro dos Cuidados Integrados”.
Da integração das estruturas à integração dos cuidados
Durante a sessão, Pedro Marques, Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Lezíria, destacou que a criação das ULS permitiu responder a um problema que durante várias décadas marcou o sistema de saúde português: a fragmentação organizacional entre diferentes estruturas e níveis de cuidados.
No entanto, a integração formal das organizações não significa, por si só, que exista uma verdadeira articulação assistencial.
“Integrar estruturas não significa, necessariamente, integrar cuidados.”
O desafio passa agora por transformar essa integração administrativa numa integração clínica efetiva, reforçando a articulação entre os diferentes níveis de cuidados e desenvolvendo uma abordagem mais centrada no percurso de cada pessoa dentro do sistema de saúde.
Medir o sucesso através dos resultados em saúde
Esta evolução implica também repensar a forma como é avaliado o desempenho das Unidades Locais de Saúde.
Mais do que medir apenas o aumento da atividade assistencial, o sucesso das ULS deverá estar associado à sua capacidade para gerar melhores resultados em saúde, aumentar a qualidade de vida das populações e reforçar a confiança nos cuidados prestados.
Pedro Marques resumiu esta ambição na necessidade de demonstrar “mais saúde, mais valor e mais confiança”, colocando os resultados obtidos para as populações no centro da avaliação do modelo.
O futuro dos cuidados integrados em Portugal
A discussão reuniu diferentes perspetivas sobre a evolução do modelo ULS e os desafios associados à construção de um sistema de saúde mais integrado.
A mesa redonda contou com a participação de Pedro Marques, Presidente do Conselho de Administração da ULS Lezíria; Maurício Fernandes Alves, da ULS Alentejo; André Peralta Santos, Subdiretor-Geral da Saúde; Isabel Baptista, Vogal Executiva do Conselho de Administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde; e Eduardo Antunes, Presidente do Conselho de Administração e CEO da Glintt Global.
A sessão foi moderada por João Figueiredo, Healthcare Industry Lead da Fujitsu Portugal.
O debate colocou em evidência um dos grandes desafios para a próxima fase da transformação dos cuidados de saúde em Portugal: passar de organizações formalmente integradas para um modelo em que informação, profissionais e diferentes níveis de cuidados estejam verdadeiramente articulados em torno das necessidades das pessoas.
Artigo adaptado a partir da publicação do SAPO.


