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Tecnologia “compra tempo aos farmacêuticos”

Digitalização das farmácias é chave para facilitar processos e tornar espaços de saúde mais eficientes, mas também para privilegiar relações de empatia e proximidade com utentes.

A transformação digital está na ordem do dia e é uma prioridade transversal a todos os setores da economia. Embora o caminho a palmilhar ainda se perspetive longo, a área da saúde não tem ficado de fora, inclusive nas farmácias, onde a digitalização pode servir de farol para o desenvolvimento e a tecnologia é essencial para “comprar tempo aos farmacêuticos”.

Internet of Things (IoT), machine learning, algoritmia e robôs são algumas das ferramentas que auxiliam à eficiência dos processos na hora de dispensar medicamentos. No entanto, retirar o elemento humano no atendimento aos utentes está fora de questão, especialmente quando as farmácias se constituem, cada vez mais, como “um polo-chave na prestação de cuidados de saúde de proximidade”, afirma João Paulo Cabecinha, responsável da área de pharma da Glintt.

Espalhadas por Portugal, numa rede com grande capilaridade, existem 2920 farmácias e 90% delas já iniciaram os seus processos de transformação digital. Já são mais de 2500 os espaços em que a Glintt – empresa lusa especializada em consultoria e soluções tecnológicas -, já interveio para concretizar a missão de facilitar o trabalho dos profissionais de saúde.

Oferecendo suporte 24 horas por dia e sete dias por semana, a tecnológica dá assistência a mais de 15 mil equipamentos instalados em farmácias, presta consultoria a mais de 750 e instalou mais de 300 robôs, com o propósito de alavancar a digitalização do setor e transformar as farmácias em espaços que se interligam com outros agentes da saúde.

“Não se trata só de trazer um software ou um robô para a farmácia que ajuda a acelerar a dispensa de um medicamento”, começa por explicar João Paulo Cabecinha. O fundamental é ter capacidade para “pensar processos” e é nesta vertente que intervém a equipa de consultoria, que repensa e redesenha de forma a contribuir para melhorar o desempenho dos profissionais que estão na farmácia.

Da forma como o espaço está desenhado às zonas de atendimento, passando por consultórios e gabinetes, “todo o espaço é pensado para melhorar a visita à farmácia, mas numa experiência que se quer cada vez mais articulada com os canais digitais”, assevera.

As tendências tecnológicas passíveis de adaptar ao setor da saúde são diversas, embora a delicadeza da atividade implique o cuidado de não comprometer a privacidade dos utentes e a prevalência de uma relação humanizada, “um dos aspetos mais importantes nesta área”.

Dos mecanismos formados por algoritmos que ajudam na gestão de stocks e encomendas, aos robôs que organizam e vão buscar medicamentos para dispensa, a imagem do farmacêutico “em cima do banquinho à procura de caixas nas prateleiras”, é coisa do passado.

Tornar as farmácias ainda mais próximas dos utentes também é um passo no sentido de aliviar a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Os farmacêuticos acabam por estar “na linha da frente” para dar resposta às questões dos utilizadores, embora ainda lhes faltem ferramentas de interligação com os hospitais que permitam, de facto, levar esta interconexão da saúde ao nível seguinte. “Já há muita gente a recorrer às farmácias em primeiro impulso, mas a referenciação faz falta”, sublinha João Paulo Cabecinha, explicando que se os farmacêuticos pudessem referenciar utentes para consultas não urgentes nos hospitais, “aliviar-se-ia a ida desnecessária às urgências hospitalares”.

Farmácias do futuro

Para João Paulo Cabecinha, o conceito a aplicar é o da farmácia enquanto “health coach da família”, isto é, uma estrutura que apoia os utentes no seu percurso para uma vida mais saudável e com melhor qualidade. Estes espaços devem constituir a linha da frente na realização de rastreios, de ajuda à tomada de medidas preventivas, de esclarecimento de dúvidas de forma disponível e acessível.

A utilização dos canais digitais para comunicar com o cidadão terá de ser outra realidade transversal no atendimento, embora o foco deva continuar a ser “o profissional de saúde que está mais perto de nós”.

No que diz respeito a mudar o paradigma do funcionamento das farmácias em Portugal, o setor tem-se mostrado dinâmico e com “grande vontade de corresponder a este novo papel, mais ligado a prestar serviços e menos focado apenas na dispensa de medicamentos”, explica o administrador da área de pharma da Glintt.

De acordo com o responsável, as farmácias têm tido a capacidade de suportar o investimento na transformação digital e prova disso é o crescimento do segmento de pharma da tecnológica, que representa já um terço de todo o negócio e onde trabalham 280 pessoas, do universo de quase 1200 colaboradores da empresa portuguesa.

Ainda assim, e segundo declarações da presidente da Associação Nacional de Farmácias, Ema Paulino, ao Jornal de Negócios, cerca de 17% das farmácias estão em situação de insolvência ou de penhora. 

Para João Paulo Cabecinha, o setor tem mostrado vitalidade, de forma global – ainda que considerando os 475 espaços em dificuldade -, embora não deixe de evidenciar que certas farmácias, “pelas suas características, localizações ou populações que servem, têm grandes dificuldades porque as margens não são muito folgadas”.

FonteDinheiro Vivo​​​​

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